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A primeira aeronave conhecida no mundo a efetuar um voo foi batizada de Passarola, e antecede 74 anos o famoso balão dos Montgolfier. A Passarola era um aeróstato, cujas características técnicas não são atualmente conhecidas na totalidade, inventado por Bartolomeu de Gusmão, padre e cientista português nascido no Brasil colônia, tendo voado no ano de 1709.
A temática do sonho – a construçãoda passarola
(Personagens: Padre Bartolomeu, Baltasar, Blimunda, Domenico Scarlatti)
. Encontro do Padre Bartolomeu com Baltasar, no auto-de-fé, em Lisboa (Rossio) em 26 Julho de 1711 (Cap. V)
. João Elvas informa Baltasar do apelido do padre – O Voador. Baltasar inquira o Padre sobre a razão do seu apelido de voador. (Cap. VI)
. O Padre confidencia a Baltasar o segredo da máquina e vão a S.Sebastião da Pedreira.
. Proposta/convite de trabalho de Bartolomeu e Baltasar (Construção da passarola). (Cap. VI)
. Baltasar e Blimunda mudam-se para S. Sebastião da Pedreira para estarem perto da máquina (Cap. IX) – o padre viaja para Holanda para trazer o éter.
. Em virtude de ainda não haver a certeza do voo da máquina, param-se os trabalhos e Baltasar e Blimunda vão para Mafra. (Cap. IX)
. O padreregressa da Holanda com o “éter – afinal, o que faz voar a passarola são as “vontades”. (Cap. XI)
. O padre vai para Coimbra mas antes distribui tarefas – quando ele mandar “irão os dois para Lisboa, tu (Baltasar) construirás a máquina, tu (Blimunda) recolheras as vontades”. (Cap. XI)
. Baltasar e Blimunda partem para Lisboa a pedido do padre. (Cap. XII)
. Continuação da construção da passarola.(Cap. XII)
. Recolha de vontades na procissão do corpo de Deus. (Cap. XIII)
. O padre revela a Scarlatti o segredo da máquina. – Ida a S. Sebastião da Pedreira onde o padre apresenta a máquina e a tríade. (Cap. XIV)
. Blimunda finaliza a recolha das vontades durante a epidemia – doença de Blimunda e cura com a música de Scarlatti. (Cap. XV)
. O padre é perseguido pelo santo oficia o que leva àfuga da tríade na passarola. Aterragem forçada na serra do Barregudo, no Monte Junto. (Cap. XVI)
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Importância da vontade do ser humano na concretização dos sonhos e a questão do valor da amizade (os esboços do padre + o trabalho físico de Baltasar + dimensão espiritual de Blimunda na recolha das vontades) – esforços conjugados na concretização do sonho de todos.
Implicações simbólicas –engrandecimento do ser humano que atinge outra dimensão para além da terrestre.
Na obra, parece-nos que o fantástico tem uma função marcadamente simbólica.
De facto, não será por acaso que o que faz subir a passarola são as vontades dos homens e das mulheres. Estas vontades recolhidas por Blimunda poderão significar que a vontade, ou melhor, as vontades dos homens, unidas por uma mesma causa ou num mesmosonho, serão capazes de vencer a ignorância, o fanatismo, a intolerância, libertando o homem, projectando-o para uma nova idade, abrindo-lhe perspectivas de um mundo diferente.
O próprio voo da passarola poderá representar o poder que o homem tem quando é capaz de sonhar e não desiste dos seus sonhos. Como a passarola, o homem libertar-se-á das amarras que o prendem às limitações do seu quotidiano, àmesquinhez do dia-a-dia e, capaz de olhar o mundo com lucidez, tornar-se-á mais livre, será cada vez mais senhor de si.
Mas o simbolismo tem outra face. A busca das vontades matará Blimunda depois de a ter feito sofrer cruelmente: «cansados da grande caminhada de tanto subir e descer escadas, recolheram-se Baltasar e Blimunda à quinta, sete mortiços sóis, sete pálidas luas, ela sofrendo umainsuportável náusea, como se regressase de um campo de batalha,» e a concretização do sonho dos três seres empenhados na construção da passarola, levará o padre Lourenço à loucura e Baltasar à morte. Quanto a Blimunda, ela sofrerá nove anos a angústia de uma morte lenta, enquanto busca desesperada o seu amor: «Durante nove anos, Blimunda procurou Baltasar. Conheceu todos os caminhos do pó e da lama, a…