INSTITUTO PRESBITERIANO INDEPENDENTE DE ENSINO

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GABRIEL FERREIRA DOS SANTOS

DAVID HUME/ TRATADO DA NATUREZA HUMANA E INVESTIGAÇÃO A CERCA DO ENTENDIMENTO HUMANO (OBRAS)

FRANCO DA ROCHA
2015
Tratado da Natureza Humana é considerada pelos especialistas a principal obra do filósofo empirista escocês David Hume, sendo publicada em 1739-1740 e tendo a escrita inicialmente naInglaterra e posteriormente na França. Começando com o seu Tratado da Natureza Humana, Hume se esforçou para criar uma “Ciência do Homem “totalmente naturalista, que examinou a base psicológica da natureza humana. Em franca oposição com os racionalistas que o precederam, principalmente Descartes, ele concluiu que o desejo ao invés da razão governava o comportamento humano, dizendo: “A razão é, e sódeve ser escrava das paixões”. Diz ele, na introdução, que assim como a ciência do homem é o único instrumento sólido para as outras ciências, assim o único fundamento sólido que podemos dar a ciência do homem repousa necessariamente sobre a experiência e sobre a observação.
A FILOSOFIA MORAL, ou ciência da natureza humana, pode ser tratada de duas maneiras diferentes; cada uma delas tem seumérito peculiar e pode contribuir para o entretenimento, instrução e reforma da humanidade. A primeira considera o homem como nascido prin­cipalmente para a ação; como influenciado em suas avaliações pelo gosto e pelo sentimento; perseguindo um objeto e evitando outro, se­gundo o valor que esses objetos parecem possuir e de acordo com a luz sob a qual eles próprios se apresentam. Como se admite que avirtude é o mais valioso dos objetos, os filósofos desta classe pintam-na com as mais agradáveis cores e, valendo-se da poesia e da eloquência, discorrem acerca do assunto de maneira fácil e clara: o mais adequado para agradar a imaginação e cativar as inclinações. Escolhem, na vida cotidiana, as observações e exemplos mais notáveis, colocam os ca­racteres opostos num contraste adequado e,atraindo-nos para os ca­minhos da virtude com visões de glória e de felicidade, dirigem nossos passos nestes caminhos com os mais sadios preceitos e os mais ilustres exemplos. Fazem-nos sentir a diferença entre o vício e a virtude; ex­citam e regulam nossos sentimentos; e se eles podem dirigir nossos corações para o amor da probidade e da verdadeira honra, pensam que atingiram plenamente o fim de todosos seus esforços.
Cada um admitirá prontamente que há uma diferença conside­rável entre as percepções1 do espírito, quando uma pessoa sente a dor do calor excessivo ou o prazer do calor moderado, e quando depois recorda em sua memória esta sensação ou a antecipa por meio de sua imaginação. Estas faculdades podem imitar ou copiar as percepções dos sentidos, porém nunca podem alcançar integralmente aforça e a vivacidade da sensação original. O máximo que podemos dizer delas, mesmo quando atuam com seu maior vigor, é que representam seu objeto de um modo tão vivo que quase podemos dizer que o vemos ou que o sentimos. Mas, a menos que o espírito esteja perturbado por doença ou loucura, nunca chegam a tal grau de vivacidade que não seja possível discernir as percepções dos objetos. Todas ascores da poesia, apesar de esplêndidas, nunca podem pintar os objetos naturais de tal modo que se tome a descrição pela paisagem real. O pensamento mais vivo é sempre inferior à sensação mais embaçada.
Podemos observar uma distinção semelhante em todas as outras percepções do espírito. Um homem à mercê dum ataque de cólera é estimulado de maneira muito diferente da de um outro que apenas pensa nessaemoção. Se vós me dizeis que certa pessoa está amando, compreendo facilmente o que quereis dizer-me e formo uma concepção precisa de sua situação, porém nunca posso confundir esta ideia com as desordens e as agitações reais da paixão. Quando refletimos sobre nossas sensações e impressões passadas, nosso pensamento é um re­flexo fiel e copia seus objetos com veracidade, porém as cores que…