Bb103

ARQUITECTURA
BARROCA
EM PORTUGAL
Biblioteca Breve
SÉRIE ARTES VISUAIS
ISBN 972 – 566 – 171 – 0
DIRECTOR DA PUBLICAÇÃO
ANTÓNIO QUADROS
JOSÉ FERNANDES PEREIRA
Arquitectura
Barroca
em Portugal
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
Título
Arquitectura Barroca em Portugal
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Biblioteca Breve /Volume 103
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1.ª edição ? 19862.ª edição ? 1992
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Instituto de Cultura e Língua Portuguesa
Ministério da Educação
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© Instituto de Cultura e Língua Portuguesa
Divisão de Publicações
Praça do Príncipe Real, 14-1.º, 1200 Lisboa
Direitos de tradução, reprodução e adaptação,
reservados para todos os países__________________________________________
Tiragem
4 000 exemplares
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Coordenação geral
Beja Madeira
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Orientação gráfica
Luís Correia
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Distribuição comercial
Livraria Bertrand, SARL
Apartado 37, Amadora ? Portugal
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Composição e impressão
Gráfica Maiadouro
Rua PadreLuís Campos, 686 ? 4470 MAIA
ISSN 0871 – 519 X
ÍNDICE
Pág.
Introdução ………………………………………………………………… 6
I / Período de experimentação (1651-1690)…………………. 14
II / Período de definição (1690-1711)…………………………. 28
III / Barroco da Corte (1717-1750) …………………………….. 50
IV / O Barroco no Norte (1725-1769)………………………. 117
V / Persistências e declínio (1750-1779) …………………… 151
VI / Barroco Provincial…………………………………………… 166
VII / A Casa Nobre ………………………………………………… 187
Conclusão …………………………………………………………….. 200
Bibliografia…………………………………………………………… 205
Índice de Ilustrações ………………………………………………. 214
INTRODUÇÃO
A análise da arquitectura barroca coloca ainda hoje
ao analista o dilema da utilidade. Não da utilidade
enquanto necessidade de escrita sobre um tema de arte
num país de historiografia deficitária ? mas porquê
escrever sobre o barroco?
Emoções contraditórias para quemescreve e antevê
incredulidades, alguns sorrisos e desconfianças
ideológicas… O barroco suscita, ainda, paixões
viscerais. Falar de barroco é referir inevitavelmente o
seu julgamento em termos de dicotomia. Reassumir esse
maniqueísmo é hoje paralisante e interessou-nos
sobretudo reflectir ideias ou meras opiniões e elaborar
uma visão pessoal que decorre de estudos anteriores e
de outros em queactualmente trabalhamos. Não se
pretenda ver neste livrinho, contudo, uma História, que
não o é nem podia ser face à exiguidade de estudos
parcelares e ao desconhecimento que paira sobre muitas
obras, nem sequer inventariadas. Acresce ainda que,
não invocando lamentações compensatórias sobre
deficientes condições de trabalho, o autor não tem
também idade para fazer Histórias.
Pertencemos a uma geraçãoescolar a quem
ensinaram a amar os castelos medievais, as igrejinhas
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românicas implantadas em locais verdejantes, cuja
importância a idade provecta caucionava, a pureza
exemplar de Alcobaça, o rendilhado gótico da Batalha
(como já não se faz!) ou ainda a gloriosa e heróica
exuberância manuelina, cheirando a oceanos
desbravados por intrépidos marinheiros. Depois era
obviamente o declínioestéril, cujo símbolo era Mafra
(“monumento maior que o Reino”, na expressão famosa
de Oliveira Martins), referência última antes do silêncio
sobre a “ignóbil” arte moderna, pois como também
escolarmente se dizia, após 1820 não se tratava de
História mas de política.
Restrinjamo-nos porém ao barroco. Como noutro
local dissemos, a má fama desta arte tem raízes
oitocentistas, iniciando-se em Cirillo e…