Apresenta O Descartes

?De que maneira Descartes distigue o corpo da mente? Segundo a teoria dualista de Descartes, o corpo e o espírito são duas substâncias imiscíveis, cada qual com uma natureza diferente: o espírito pertenceria ao mundo da racionalidade (res cogitans), enquanto o corpo às coisas do mundo com extensão (res extensa), i.e., ao mundo das coisas mensuráveis. Descartes acreditava que a função da glândulapineal seria unir a alma/espírito ao corpo. Sua visão do ser humano era mecanicista. O corpo era tratado como uma máquina de grande complexidade. Pensava em partes separadas, no que ligaria o que com o que, qual seria a função de cada parte, em suas relações etc.
E, agora, que é essa extensão? Não será também desconhecida, visto que na cera que se funde ela aumenta e fica ainda maior quandoaquela está inteiramente fundida e muito mais ainda quando o calor aumenta mais? E eu não conceberia claramente, e segundo a verdade, o que é a cera; se não pensasse que é capaz de receber mais variedades segundo a extensão do que nunca imaginei. Por conseguinte, é preciso que eu concorde que não poderia mesmo conceber pela imaginação o que é essa cera, e que só meu entendimento é quem o concebe.
Pqé mais fácil entender a mente do que o corpo? O exame detalhado do objeto físico mostra que todas as características do objetos não são dadas pelos sentidos, nem pela imaginação, mas pelo o entendimento.
E como ele chegou a tal conclusão? Quando Descartes faz o exemplo da cera, na qual o exame detalhado do objeto físico mostra que todas as características do objetos não são dadas pelos sentidos,nem pela imaginação, revela que o que permanece do objeto é sua ideia e não sua imagem. Só o espírito é capaz de conhecer o imutável nos corpos mutáveis. Portanto, o conhecimento de algo que existe depende de um eu pensante: o conhecimento do espírito não depende do corpo, enquanto o conhecimento do corpo depende do espírito. Logo, é mais fácil conhecer o espírito do que o corpo. A afirmação deque o espírito é mais fácil de conhecer do que o corpo foi escandalosa no ponto de vista da tradição filosófica. Essa afirmação inaugura a filosofia moderna. Na tradição filosófica, o espírito era mais digno, mas não mais fácil de se conhecer do que o corpo.
O atributo essencial da razão ou da alma é o ato mesmo de pensar, o que Descartes denomina de substancia da alma, que não depende de qualquercoisa material. Eis porque ele dirá que o conhecimento da alma é mais fácil do que o conhecimento do corpo, pois na metafísica, a razão se depara apensa consigo mesma, sem intermediários ou mediações.
Numa visão cartesiana, o corpo parecia ser muito mais importante que a alma. Porém, Descartes ao fazer uma análise de um pedaço de cera que acaba de ser tirado de uma colmeia, observa que pelossentidos podem se ter algumas características, no entanto estas não revelam realmente o que seja a cera. Uma vez que, aquecendo-a no fogo pode haver alterações no gosto, na cor, no cheiro e em outras características. Mas, mesmo assim, a cera não deixa de ser o que ela é: cera, pois, contém nela a sua natureza, sua identidade, sua ideia e não imagem, apesar das mutações que se possam ter. Descartes,com isso, afirma que a única coisa que permanecerá é a extensão, ou seja, o corpo é, essencialmente, a extensão, a res extensa[4]. Chega-se a essa certeza não pelos sentidos, apesar destes perceberem as mudanças da cera, mas pelo entendimento, isto é, pela razão. Assim, pode-se afirmar que a res extensa é uma ideia clara e distinta da mente e do espírito. Neste sentido, Descartes inverte a suaconcepção: “(…) reconheço com evidência que nada há que me seja mais fácil de conhecer do que meu espírito”, ou seja, o espírito é mais fácil de conhecer do que o corpo. Definir-se-ia a cera como um corpo externo, flexível e mutável. A características de flexível e mutável devido às infinitas formas que a cera pode apresentar no atual momento. Mais ainda, a flexibilidade e mutabilidade não são…